TRADUÇÃO: Katy Perry fala sobre carreira e vida pessoal em entrevista ao “The Guardian”

TRADUÇÃO: Katy Perry fala sobre carreira e vida pessoal em entrevista ao “The Guardian”

TRADUÇÃO: Katy Perry fala sobre carreira e vida pessoal em entrevista ao “The Guardian”
postado por Deivin Ferreira às 20.06 · post visualizado 452 vezes

Durante sua passagem pela Suécia, afim de divulgar o “Witness”, ainda no mês de maio, Katy Perry concedeu uma entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.
No decorrer da conversa, a estrela pop falou um pouco mais sobre seu novo álbum, sobre o que ela mesma chama de “pop com propósito” e até mesmo da tão comentada treta com Taylor Swift.

A entrevista completa foi liberada há alguns dias no site oficial do jornal e nós traduzimos na íntegra pra vocês! Confiram aqui:

“Eu criei essa personagem chamada Katy Perry. Eu não queria ser Katheryn Hudson. Foi muito assustador.”

Na véspera do lançamento de seu quinto álbum em Glastonbury, a filha de pastores que se transformou em uma máquina de sucessos fala sobre “pop com propósito”, a alegria da meditação e sua briga com Taylor Swift.

Em meio aos típicos detritos de gravação dos Estúdios da Jungle City de Nova York – caixas de tampões de ouvido de espuma, rolos de fita, botões intocados em uma mesa de som do tamanho de um estúdio pequeno em Londres – há uma vela Febreze, a cera verde-limão emitindo um perfume parecido com o de um detergente adocicado. É a primeira coisa em que Katy Perry repara quando, de repente, aparece atrás de mim. “É tão chique”, ela brinca, seu visual imaculadamente construído, com uma blusa de malha laranja, calças cropped xadrez e chinelos Adidas finalizados com uma fita preta brilhante para poros esticada sobre a ponte de seu nariz. “Em algum momento, eu vou me dar o prazer de retirar isso”, ela ri, alisando-a sobre seu piercing volumoso do nariz.

De repente, o mise-en-scène faz todo o sentido: o glamour superficial sustentado por um toque de realidade pé no chão é muito o modus operandi da Katy Perry, e tem sido desde que ela surgiu, há quase uma década, com o sucesso global “I Kissed A Girl”. Katy é a garota da casa ao lado que se transformou em uma mega estrela com quem você quer sair, rir, possivelmente falar sobre cravos. Se, na escala das super estrelas, Beyoncé é quase sobre-humana, então Katy se orgulha em ser, como diz mais tarde, “super humana; tipo, realmente humana”.

Ela me reconhece de uma entrevista anterior que fizemos há três anos, em Belfast, na qual ela estava acometida por um resfriado tão violento, que eu perdi as contas da quantidade de muco que vi ela limpar em sua manga. Hoje, ela se desculpa por uma hora de atraso, e me agradece por adiar meu vôo depois de a data inicial de nossa entrevista ter sido adiada por 24 horas. Seu atraso é compreensível; ela acabou de anunciar os detalhes de seu quinto álbum, “Witness”, o primeiro desde “Prism”, de 2013, uma turnê mundial com o mesmo nome, e esteve ocupada preparando-se para as performances daquela noite (nos encontramos no final de Maio) no Saturday Night Live.

Ela está interessada em deixar claro que nada está fora dos limites: “Eu vou te dar tudo e mais”, ela sorri. Mas antes de começarmos, ela me mostra seu iPhone, que já está gravando. “Todos nós sabemos que tom e contexto são tudo, então esta talvez seja uma das minhas últimas entrevistas impressas”, ela diz, colocando seu celular ao lado do meu Dictaphone. “Porque. As. Pessoas. Não. Entendem. Isso. Hoje. Em. Dia”, ela acrescenta, cada palavra pontuada por uma palma. Ela se acomoda em sua cadeira, um cardigã cinza descansando em suas pernas cruzadas. Enquanto sua personagem em entrevistas de TV e videoclipes é, geralmente, uma irmã mais velha hiperativa e pateta, esta tarde ela é sincera, beirando a eficiência. “Esta é a minha renúncia: minha intenção é tão pura nos dias de hoje”, ela afirma. “Eu não sei de nada. Todos os pensamentos e opiniões que expresso são meus. Ponto final, fim da história”.

Como todas as melhores super estrelas do pop, Katy Perry pareceu emergir completamente formada – um esbanjo de exagero caricato – quando ela bagunçou a consciência pública em 2008. “I Kissed A Girl” – um pop completamente clássico – habilmente a posicionou no meio de uma tempestade perfeita de brincadeiras que atraíram os tablóides, se relacionando com o brega e com apenas o charme relacionável suficiente para manter as coisas familiares (em 2015 ela descreveu seu apelo como “sensualidade suave”). Ao lado da mais conscientemente exagerada, Lady Gaga, que surgiu no mesmo ano, e da era Single Ladies da Beyoncé, Katy começou a dominar o panorama pop feminino, seguindo “I Kissed A Girl” com o engate de sucessos revestidos de açúcar, antes de desfrutar de grande notabilidade com o sucesso quebrador de recordes, “Teenage Dream”, em 2010. Esse foi um álbum que definiu os dois lados de sua personalidade musical – do redemoinho de algodão doce de “California Gurls” à mensagem de auto-ajuda de “Firework”. No verão de 2011, Katy havia se tornado a primeira mulher da história das paradas dos EUA a ter cinco singles número 1 de um álbum, igualando um recorde anteriormente realizado por Michael Jackson, em seu esplendor dos anos 80.

Ela também começou a dominar uma medida de popularidade mais moderna, tornando-se a pessoa mais seguida no Twitter em 2016 (sua contagem de seguidores está crescendo constantemente em direção aos 100M). Em fevereiro de 2015, em meio a uma exaustiva turnê mundial em apoio ao álbum Prism, que acrescentou “Roar” e “Dark Horse” ao seu crescente cânone pop, ela se apresentou no show de intervalo do Super Bowl com um conjunto de palcos que incluía um gigantesco leão mecânico banhado a ouro e um cenário de praia completo com tubarões dançantes prontos para se transformarem em meme. A extravagância de 12 minutos obteve os maiores índices do Super Bowl de todos os tempos, com 118 milhões de pessoas assistindo à Katy (4 milhões a mais do que o jogo em si).

Com astuta percepção sobre sua posição no universo pop, Katy sempre entendeu o poder da reinvenção, passando de pin-up vintage (“One of the Boys”), para sedutora brega (“Teenage Dream”), para guerreira “levante-se e siga em frente” (o mais espiritualmente inclinado, “Prism”, lançado após seu divórcio com Russell Brand). Sua iteração atual e mais politizada parece a mais ousada. O primeiro single do Witness, a confecção pop disco de fevereiro, “Chained To The Rhythm”, anunciou o que Katy – uma antiga defensora de Hillary Clinton – chama de a chegada do “pop com propósito” e foi escrita após o resultado da vitória de Donald Trump. A letra, com raps de Skip Marley, convida as pessoas a despertarem para os problemas mundiais: “Derrube as paredes para se conectar, inspire / Ei, aí em cima sua alta posição, mentirosos / O tempo está passando para o império”. Durante a sua performance da música no Brit Awards daquele mês, ela foi acompanhada no palco por efígies gigantes de esqueletos de Donald Trump e Theresa May.

A intenção da canção, ao que parecia, era ligar os pontos à sua biografia recentemente atualizada do Twitter, que dizia: “Artista. Ativista. Consciente.” (ela foi recentemente alterada para “Eu não sei nada”). Então, como ela se sente em relação ao resultado das eleições agora? “Ouça, há um período de luto. Eu acho que, com a Hillary, era algo maior do que ela, e ela tinha que ser a pessoa a tirar a espada da pedra e despertar esse movimento, o que é realmente importante. O que eu comecei a perceber foi que não se trata de uma pessoa: é sobre o reino, não é sobre o rei. É sobre nós. Nós escrevemos as regras como uma comunidade, e, por isso, sou tão grata que a Hillary tenha sido forte o suficiente para resistir a tudo e, também, por acordar o gigante adormecido. Nós somos o gigante adormecido”.

Ela começa a cutucar a fita para poros, que acaba soltando até a metade. “Eu sou realista, mas, definitivamente, sou otimista e, então, espero que haja uma verdadeira mudança a caminho, não há apenas complacência a caminho. Nós precisamos mudar. Precisamos agitar algumas coisas”.

Ela está interessada em incluir aqueles que votaram em Donald Trump em sua ampla igreja. “Isso é algo que vou fazer na turnê – mal posso esperar para conhecer essas pessoas. Eu só quero ouvir o que eles têm a dizer, e espero que possam ouvir o que eu tenho a dizer”.

Em abril, “Chained To The Rhythm” foi seguido por “Bon Appétit”, uma forte insinuação, se é que você me entende, ao sexo oral (“me espalhou como um buffet”) que contou com a participação de Migos, o trio de rap da Georgia recentemente acusado de homofobia após uma entrevista à Rolling Stone, na qual eles expressaram surpresa em relação ao suporte demonstrado ao recém-surgido rapper, iLoveMakonnen. Naquela mesma semana, um vídeo ao vivo no Instagram mostrou uma Katy aparentemente chateada, o que resultou em fãs dando início à hashtag “#WeLoveYouKaty”. “Eles tentaram me fazer parecer uma vítima”, ela diz. “Eu não sou uma vítima. Eu nunca chorei”. No dia em que “Bon Appétit” entrou nas paradas dos EUA em uma posição menor do que a esperada (76), Katy saiu de férias. Novamente, no mundo hiper investigado do pop, os fãs se apoderaram disso. “Eu tirei essas férias que eu havia planejado há semanas e semanas atrás com minhas amigas. Todo mundo se acalme. Por que as pessoas não perguntam para mim qual é a minha história?”.

A história de Katy é uma tomada única no sonho americano. Nascida Katheryn Elizabeth Hudson, há 32 anos, em Santa Barbara, Califórnia, ela é a filha auto-confessa “ovelha negra” de dois cristãos renascidos, ambos pastores pentecostais. Era uma infância restrita e regimentada, dominada pela censura: a música secular foi banida (junto de sua família, ela piqueteou shows de Marilyn Manson e Madonna); o cereal Lucky Charms foi proibido, porque sorte estava ligada ao diabo (os devilled eggs viraram angel eggs) e Katy passou verões em grupos juvenis, alguns dos quais, ela disse recentemente, eram campos favoráveis à conversão gay. Cantar tornou-se uma forma de escapismo, tanto na igreja, quanto sozinha, com um violão acústico que ganhou aos 13 anos de idade. Naquele mesmo ano, ela convenceu seus pais a levarem-a à Nashville para gravar um álbum gospel e, dois anos depois, aos 15 anos, ela descobriu o Queen, uma epifania que ampliou seus horizontes do pop. “Essa foi a minha primeira perspectiva daquele mundo, e eu simplesmente amei. Eu me senti tão livre e aceita”, ela disse à Vogue no mês passado.

Aos 17, ela largou a escola e se mudou para Los Angeles para perseguir uma carreira musical. Em 2001, um álbum gospel lançado independentemente vendeu aproximadamente 200 cópias, enquanto os acordos de contrato subsequentes com a Island e a Columbia não deram em nada. “As pessoas me viam como produtos danificados”, ela disse sobre aquele período. Em 2006, tendo um álbum de pop/rock, que estava gravando há anos, arquivado, ela se encontrou trabalhando em uma empresa independente de A&R e cantando em noites de microfone aberto. Um ano depois, no entanto, essas músicas acabaram com o chefe da Capitol Records, que, prontamente, assinou contrato com ela. Depois de trocar Hudson pelo nome de solteira de sua mãe, Katy Perry, multi-platina em vendas (ela vendeu em torno de 81M de singles em todo o mundo), premiada, aparentemente, uma máquina imparável de sucessos havia nascido.

Parte do apelo inicial de Katy foi um senso de fantasia. A personagem lendária que ela criou – uma espécie de Betty Boop que conhece a garota festeira de LA com um coração – pareceu a encapsulação perfeita dos sonhos de qualquer estrela pop jovem, com a história de determinação, nunca-desista de-si-mesmo, harmonizando com qualquer show de talentos da TV. (Para voltar às origens, Katy acabou de assinar contrato para ser uma jurada no programa que está retornando à TV, American Idol).

A realidade da construção de Katy, ela diz agora, foi mais prosaica. “Muitas pessoas estão vivendo com medo de algo que aconteceu em sua infância, ou com alguma forma de stress pós-traumático que adquiriram ao longo do caminho, e eu criei essa personagem maravilhosa chamada Katy Perry que eu sou muito, e que pode aparecer o todo tempo, mas eu criei essa personagem como uma proteção”, ela diz. “Eu estava com medo de que, se você me visse, Katheryn Hudson, a garota usando a fita Bioré no meu nariz, você ficaria, tipo: ‘Isso não é glamuroso’. Isso foi eu pensando: ‘Tudo bem, eu estive chateada durante toda a minha infância, então vou mostrar ao mundo que sou alguma coisa, que vou fazer alguma coisa e que sou suficiente’. Eu não queria ser a Katheryn Hudson. Eu odiava isso, era assustador demais pra mim, então decidi ser outra pessoa”. Finalmente, ela arranca a fita grudenta de limpeza de seu nariz. Ela olha para ela e suspira. “Isso realmente não tirou coisa suficiente”.

A desvantagem de criar uma personagem com um apelo tão amplo é que pode ser difícil manter todas as coisas para todas as pessoas, especialmente quando, como ela diz, “libertando-se de tudo”. “Chained to the Rhythm”, embora pintada com amplas pinceladas, foi a declaração de Katy, e uma com implicações, tanto pessoalmente, quanto profissionalmente. Ela é respeitosa em relação às opiniões políticas de seus pais republicanos, mas está interessada em envolvê-los em debates. “Se você pode ter paciência e não virar a mesa, então um discurso saudável é tão importante”, ela diz.

Ela se preocupou com os riscos comerciais envolvidos? “Eu não vou agradar a todos, e não estou tentando fazê-lo. Se você corre atrás de agradar a todos, você está acabado. Se você não defende nada, então você está acabado”.

De repente, suas palavras tornam-se mais severas. “Eu acho que isso é, realmente, bem egoísta: se você preza ‘pelas pessoas’, mas você não quer ajudar ‘as pessoas’, porque você não quer dizer coisas quando as coisas ficam difíceis, então pelo que você preza? Proteger a sua marca? Se certificar de não perder zeros em sua conta bancária?”.

Você perdeu dinheiro por falar abertamente? “Algumas pessoas disseram: ‘olhe, nós não podemos mais fazer isso com você porque recebemos cartas’. Basicamente, as corporações são, tipo, ‘não tenha uma opinião’, e eu sou, tipo, ‘então, se eu estivesse vocalizando para o outro lado, você ainda receberia cartas, você sabe disso, certo?’. O que eles estão me pedindo para fazer é não falar nada. Então, Deus te abençoe na sua jornada”. Ela solta um enorme sorriso.

Dada a declaração do “pop com propósito”, houve um palpável senso de desapontamento por parte da base de fãs de Katy em abril, quando “Bon Appétit” voltou a dar continuidade ao estilo brega, com suas metáforas sexuais estranhas baseadas em buffet. “[‘Bon Appétit’] é repleta de libertação sexual!”, Katy insiste, visivelmente irritada. “A libertação não vem apenas na forma de falar sobre política. Algumas pessoas ficarão animadas com isso – eu vi isso acontecer”.

Nós falamos sobre o Migos, e sobre como parte de sua base de fãs gays ficou desapontada com a sua participação. “Em primeiro lugar, eu não sabia sobre [a entrevista à Rolling Stone] quando eu os conheci. Eu não fiz uma verificação dos antecedentes. Algumas pessoas não dizem as coisas que você quer que elas digam, porque não sabem como dizê-las”, ela continua. “Há também um padrão duplo – ninguém disse nada sobre o Frank Ocean, que trabalhou com eles em uma faixa, ou sobre o Liam Payne, que usa o Quavo (integrante do Migos) [em seu novo single]. Ninguém está falando sobre isso”.

A conversa rapidamente se transforma em um monólogo mais amplo sobre os perigos das guerras das tribos online. “O problema é que esses grupos de fãs acham que todo mundo está em competição, e todos precisam parar com essa merda”, ela diz. “Todo mundo está tentando colocar uns contra os outros, especialmente com toda essa besteira sobre mulheres odiando mulheres. Eu estou tão enojada e de saco cheio disso. Você pode me fazer aquela pergunta, eu não posso falar por eles [Migos], mas qualquer coisa que eu faça – deixe-me reiterar – minhas intenções são puras. Eu não sei tudo, e vou me atrapalhar, mas não me dê uma porra de padrão duplo”.

Mesmo quando com raiva, as palavras de Katy são, geralmente, emitidas com uma calma calculada, tipo zen, algo que ela atribui, em parte, à uma nova maturidade (“Eu deixei os meus 20 anos, abracei e me entreguei aos meus 30 anos, e eu os adoro. Eu não voltaria para trás de jeito nenhum”) e, em parte, à sua paixão pela meditação transcendental. “A MT mudou a minha vida”, ela diz. “Eu estudei isso há cinco anos atrás, na Índia, durante meu casamento [com Russell], e isso foi uma coisa incrível que eu recebi daquele momento. Algumas pessoas ficam muito nervosas em relação às conotações espirituais das coisas, mas a MT é muito clínica e científica. Isto [ela cutuca seu celular] é a nova forma do açúcar. Isto é a nova dopamina, o novo estimulante, e todo mundo tem 20 minutos, uma vez ao dia, para desligá-lo e meditar. Quando eu o faço, posso sentir as teias de aranha se elevando e posso sentir essa auréola. Eu acho que a MT é uma ótima maneira de encontrar uma quietude verdadeira. Você deveria fazer isso”.

Sua influência calmante está a mostra quando a conversa se volta para Taylor Swift e sua relação fraturada, que dizem ser o tema da música de Taylor, “Bad Blood”, embora nenhuma das estrelas tenha registrado como o conflito começou exatamente. “Swish Swish”, o terceiro single do Witness, reabriu velhas feridas. “Você é premeditada, eu tenho o seu número”, Katy canta no house inspirado nos anos 90, antes de adicionar: “Não venha pra cima de mim, não, não hoje”. “Essa música parece exorcizar alguns demônios do seu passado?”, eu pergunto. “Não, eu acho que os troladores pegam pesado comigo o tempo todo”, ela diz. Então isso não é sobre a Taylor Swift? “Essa é uma mensagem para todas as pessoas que tentaram me derrubar. Todos os odiadores, os troladores, a negatividade. É a libertação de toda a negatividade. Poderia ser a libertação do” – ela faz uma pausa e diminui sua voz para um sussurro – “maior trolador que está nessa função agora. Por que é uma única coisa?”. Antes que eu possa responder, ela acrescenta: “Obviamente, eu e ela temos as nossas coisas, e eu ofereci a ela que resolvêssemos isso. Pessoalmente. Pelo telefone. A coisa toda. Quando ela estiver pronta para fazer aquilo, então eu estou pronta para fazer isso. Eu estou pronta para simplesmente esquecer tudo isso. Nós precisamos ter uma conversa sobre isso, com certeza, e eu a amo, eu realmente amo. Mas isso é algo que é diferente”.

Dá para entender seu ponto de vista. Parece uma contradição, por um lado, repudiar a constante briga entre (“é a obra do Satanás”, ela diz), e, por outro lado, continuar colocando lenha na fogueira de um conflito contínuo. Katy cerca-se de muitas mulheres – ela prefere a energia feminina no momento? “Eu amo a energia feminina. As fêmeas, em geral, são tão bonitas e poderosas. São elas que têm poder suficiente para trazer vida para este mundo. Eu não estou dizendo que elas são melhores, porque todos têm seu papel, e um homem bom é tão lindo. O que estou dizendo é que as mulheres deveriam realmente conhecer o seu poder e é disso que se trata o poder. É sobre ‘quando você decidiu abrir mão do seu poder?'”.

Nós conversamos sobre a estreia iminente de Katy em Glastonbury; ela está entusiasmada em trazer “os sinos e assobios e a autenticidade entre eles” para Worthy Farm. “Eu só fui à luxuosidade do Coachella”, ela ri, se referindo ao festival que acontece no deserto da Califórnia, que, este ano, hospedou um brunch da tarde para ajudar Katy a lançar sua nova linha de sapatos. Dada a curiosa decisão de tê-la aquecendo o palco Pyramid para os roqueiros alternativos barbados, a forragem padrão nacional e do festival, Foo Fighters, ela gostaria de, um dia, voltar e ser a atração principal? “Claro, se eles me receberem”. Ela encolhe os ombros. “Estou feliz com onde eu estou. A coisa é, não chore por mim. Eu estou bem. Eu estou feliz”.

Em certo momento, à medida que a entrevista começa a esfriar e o nosso tempo juntos chega ao fim, entramos em uma discussão surreal sobre sabores de sorvete, e um comentário improvisado sobre uma canção sendo “muito baunilha” leva à vozes elevadas e sotaques duvidosos. “Você sabe qual é o gosto da baunilha italiana real, caseira, com fava de baunilha? É o gosto mais luxuoso do mundo”. Eu apenas vejo a baunilha como um pouco básica, eu confesso. “As pessoas gostam de baunilha!”, ela grita com raiva simulada, sua cadeira de escritório com molas saltando para cima e para baixo. “É por isso que é um dos três melhores sabores napolitanos, filho da puta! É morango, chocolate e baunilha!”. A palavra “baunilha” começa a rodar em sua boca, com uma leve vibração nova iorquina-italiana. “Quem disse que baunilha é o barômetro para o básico? As pessoas gostam de baunilha!”.

A conversa ricocheteia de volta ao Witness. “Há 15 sabores no álbum!”, ela diz. “Pegue seu Rocky Road, pegue sua baunilha, pegue seu chocolate, pegue seu morango, pegue sua menta com pedaços de chocolate – eles estão todos lá”. Cinco dias depois, e esses vários sabores estão sendo postatos à prova nos mais estranhos dos ambientes. Nove anos depois de ela ter feito sua estreia ao vivo no Reino Unido, no Water Rats, um pub sombrio e minúsculo localizado na London’s King’s Cross, Katy está de volta lá, se apresentando no lançamento do novo programa Capital Breakfast. É uma hora gloriosamente anárquica, recheada de sucessos, que começa com Katy tentando se conectar à internet para que possa fazer uma transmissão ao vivo aos milhões de pessoas que não puderam estar lá. “Vocês me conhecem, sempre fazendo o máximo, sempre tentando fazer tudo”, ela ri. Em um momento, ela dá seu celular para um cara na primeira fila para que ele possa filmar, antes de beijar uma fã diretamente nos lábios durante “I Kissed A Girl”. “Eu amo isso porque não há formato para esta noite”, ela sorri. “Isso poderia ser qualquer coisa!”

Mais tarde, antes de uma versão acústica da lamuriosa “Part Of Me”, de 2012, ela se refere ao ataque terrorista de Manchester e ao poder unificador da música (ela vai cantar no show beneficente One Love, ao lado de Ariana Grande, Liam Gallagher e Justin Bieber, entre outros). “O que quer que seja que você possa fazer para ajudar, você deve fazer – e, se você não pode fazer nada, está tudo bem”, ela diz entre lágrimas. “Mas o que você deve fazer é não deixá-los ganhar”.

É um momento poderoso, e um momento que parece amplificar a catarse de volta ao básico da performance para Katy. “Quando eu vier ao Reino Unido, vou fazer uma tonelada de shows desse tipo”, ela diz mais tarde, a sobrancelha levemente levantada quando ela acrescenta o inevitável: “Eu quero ficar íntima de vocês”.

Antes do combinado auto-empoderamento de encerramento com “Roar”, os super-fãs apertados na frente se lançam em uma interpretação improvisada de “Fingerprints”, do “One of the Boys”, de 2008, um grito de guerra a superar a expectativa das pessoas. Quando o coro montado chega a “I’m leaving you my legacy, I got to make my mark”, Katy se junta, gritando a letra que escreveu todos aqueles anos atrás, quando ainda era desconhecida. “Eu tenho que correr muito”, ela canta, um sorriso enorme estampado em seu rosto, “Eu quero que você se lembre de mim”.

O ” Witness”de Katy Perry está disponível agora (pela Capitol). Ela performa no palco Pyramid no Glastonbury em 24 de junho, e retorna ao Reino Unido em sua turnê mundial, em junho de 2018.

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