Katy Perry durante sua passagem em Berlim, na Alemanha, no fim de Maio desse ano, com o propósito de proporcionar uma experiência para alguns fãs do país de escutar com exclusividade o seu álbum “Witness“, concedeu uma entrevista à Glamour Alemã, onde ela estampa a capa da edição do mês de Setembro, com as mesmas fotos do ensaio fotográfico para a revista Vogue americana, realizado em Fevereiro desse ano.

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Confira abaixo scans da revista Glamour, mostrando a página da matéria e entrevista feita com Katy Perry, para edição de Setembro:

   

Com a Katy Perry você sempre tem vontade de colocar óculos de sol. Ela brilha. Muito moderna. Ela brilha mais do que outros seres humanos. Inclusive, quando você se senta na frente da mulher de 32 anos você poderia pensar que está olhando diretamente para uma chama de magnésio. Sua roupa neste dia quente em Berlin é bem decente para suas circunstâncias: ela usa um vestido de verão xadrez rosa e branco, tênis Nike azul claro e meias brancas de renda. O colar prata em seu pescoço não quer combinar com os anéis dourados em seus dedos. Menos ainda com com o grosso relógio branco em seu pulso. Ela tingiu seus cabelos de loiro e as laterais estão raspadas. Ela parece um pouco uma irmã mais velha da Miley Cyrus. Ela fala alto e rápido, pula de um tópico para o outro. No meio do caminho ela se acaba de dar risada. Ela não precisa de perguntas de aquecimento e explica que é permitido interrompê-la, porque ela tende a falar demais. E então ela pode correr em busca de um Sauerkraut. O quão saudável é isso, e bom para digestão. E ela gosta de enlatados em geral. Alegre e feliz, ela grita com sua voz áspera: “obrigada Alemanha, pelo Sauerkraut!

Entrevistador: Agora que estamos falando de comida: para o seu vídeo de “Bon Appétit“, você estava no meio de várias coisas, sendo esfregada com massa e sentada em uma panela de sopa quente, você teve que ficar bem grudenta. Você queria que fosse provocativo?

Katy: Eu não posso dizer para as pessoas gostarem de uma música. É como com uma pintura. Se 30 pessoas olham para ela, você ganha 30 opiniões. É a mesma coisa com “Bon Appétit“. Algumas pessoas acham que é sobre cozinhar e outras acham que é sobre sexo.

Entrevistador: Isso não facilita pra você?

Katy: Eu faço perguntas com as minhas músicas, eu chego com diferentes ideias. Eu quero exigir das pessoas. Alguns vão rir. Outros vão discutir. E, de novo, alguns vão despertar ou criar coragem com as músicas. Foi a mesma coisa com a minha música “Peacock“. Alguns acharam que era sobre pássaros e outros acharam que era sobre pênis.

Ela diz isso com um brilho confiante em seus olhos. Ela gosta de falar sobre sexo em geral. Isso pertence ao seu conceito, de ser meio barulhenta e direta demais. Talvez seja uma reação de defesa a sua adolescência: Katy Perry (Katheryn Hudson, na época) já cantava com nove anos no coral da igreja – seus pais são membros de um movimento cristão bem restrito. Com 13 anos, ela gravou seu primeiro álbum gospel, em Nashville. Música “terrestre”? No começo, ela entrou em contato com isso indiretamente. Por exemplo quando ela entregou panfletos em frente ao show da Marilyn Manson, em Santa Bárbara, sua cidade natal. Nos panfletos estava impresso “como encontrar Deus”. Ela disse que não tinha ideia sobre o que estava protestando. Em 2001, seu álbum de estreia, “Katy Hudson“, foi lançado, mas apenas 200 cópias foram vendidas.

Entrevistador: O quanto de Katheryn Hudson ainda tem na Katy Perry?

Katy: Todos nós temos um lugar ou algo onde podemos nos esconder ou nos expressar melhor. Pode ser um hobby ou alguma coisa que nos faça sentir bem. Pra mim, sempre foi a música. Minha arte de fazer música foi meu truque para me expressar e me sentir notada. Foi também parte de uma concha protetora. Eu levei bastante tempo para me reconectar como Katy Perry com a Katheryn Hudson. Não foi fácil. Mas eu fico orgulhosa que vocês possam ouvi-la no meu novo álbum.

Entrevistador: Qual é a maior diferença entre essas duas pessoas?

Katy: A Katy Perry é uma versão exagerada da Katheryn Hudson. Ela usa muita maquiagem. E maquiagem não é nada a mais do que apenas se pintar como os palhaços. Com maquiagem você pode ser uma pessoa diferente. A Katy Perry é como um camaleão. A Katheryn Hudson é a versão pura de mim. Katy Perry é mais como uma marca.

E essa marca é muito bem sucedida. Depois de um início de carreira acidental com diversas mudanças de rótulos, ela estourou em 2008 com “I Kissed A Girl“, seguida por hits no topo das paradas (“California Gurls“, “Teenage Dream“, “Firework“, “E.T.”, “Last Friday Night“), uma performance no Super Bowl, turnês esgotadas. Para o seu novo álbum, “Witness“, ela tomou seu tempo. Quase quatro anos. E ela assumiu alguns riscos. Pela primeira vez, ela não trabalhou com seu antigo parceiro de composição, Dr. Luke. Ao invés disso, ela trouxe o anel de pureza do duo indie-pop para os estúdios. Com o resultado de que as músicas não são um pop convencional como as anteriores.

Entrevistador: Ouvimos uma nova Katy Perry em “Witness”?

Katy: Meu álbum é principalmente sobre como eu me altero comigo mesma. Isso veio com o longo intervalo que tirei. E eu precisava muito desse intervalo! Trabalhei dois anos sem parar, fiz 151 shows. Era hora de me preocupar comigo mesma. Eu tinha que me preocupar com meu corpo, minha saúde mental, meu espírito. Eu estava em uma espécie de hibernação para recuperar minhas forças. Por isso, o “Witness” é sobre deixar partir as coisas que não são boas.

Entrevistador: O que exatamente você precisou deixar partir?

Katy: A vantagem de estar em turnê é que você pode ver o mundo. Isso me ajudou bastante. De repente você conhece pessoas que você nunca conheceria. E então você começa a fazer perguntas. “Em que bolha estou vivendo?” “Em que mundo falso eu me criei?” Ou “eu quero me libertar de algo?“. É por isso que “Chained To The Rhythm” se tornou uma espécie de libertação política. E “Bon Appétit“, uma libertação sexual. Nos seus 30 anos, você percebe que sexo pode ser muito divertido.

Como nós dissemos, ela gosta de falar sobre sexo. Ela classificou seus amantes em escalas como a qualidade na cama em sua transmissão ao vivo. Para registro: Diplo foi classificado como o pior, o super guitarrista americano John Mayer, o melhor, e no meio, Orlando Bloom. Ela não falou de seu ex-marido Russell Brand durante essa oportunidade. Em momentos como este, ela é a Katy popstar. Ela adora que ela se destacar. Assim como para as fotos da nossa capa, onde ela usa vestidos ousados Comme-des-Garçons. Ou como suas performances no Grammy Awards e Brit Awards, onde ela trabalhou com o bizarro estilista de palcos Es Devlin, que também criou palcos para Jay Z e Kanye West. Quando ela não quer ser a Katy popstar, e sim a Katheryn, ela usa o mesmo conjunto de moletom preto e branco da Adidas com os mesmos tênis. Os paparazzis estão acostumados com isso. Ela disse que está 100% “ligada” quando quer para fotos. Mas, se não, ela não quer ser um espaço publicitário para nada. Ela sabe como usar sua influência. Especialmente nas mídias sociais. Afinal, ela é a primeira pessoa a alcançar 100 milhões de seguidores no Twitter.

Entrevistador: Como você lida com a responsabilidade que vem com tantos seguidores?

Katy: As pessoas não me seguem porque eu digo “compre minha música“. Posso publicar e comentar coisas muito diferentes. E, tecnicamente, as pessoas podem assistir em tempo real como eu mudo e aprendo. Claro que isso me assusta às vezes, que tantas pessoas me sigam. No outro site, posso dar voz às pessoas que não tem nenhuma. Embora minha gramática e ortografia sejam uma catástrofe.

Ela ri alto novamente e sai para a próxima entrevista.

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