“Katy Perry sobre combater a depressão, encontrar meditação e usar sua plataforma para conduzir mudanças”

Com um novo amor e uma nova perspectiva, a cantora do pop provocador Katy Perry está pronta para revelar seu verdadeiro eu ao mundo



Katy Perry encontrou a cura para o jet lag. Em novembro, nos quatro dias que antecederam sua apresentação no OnePlus Music Festival, em Mumbai, a cantora e compositora marcou um encontro com os fãs, se misturou com Bollywood, deslizou por entrevistas para jornais, canais de televisão e rádio e finalizou com uma reunião com sua gravadora – todos desmentindo seu vôo de olhos vermelhos. De nossa sessão de fotos de mais de 12 horas que começou no amanhecer, ela foi direto para um evento de caridade que estava comemorando o aniversário de 71 anos do príncipe Charles. “Meditação transcendental”, ela compartilha, é o segredo.

“Existem muitas formas diferentes de meditação que eu já fiz, mas nada superou a MT. Isso mudou a minha vida”.

Poucos acreditariam que suas confecções pop-disco de 2017, como “Swish Swish” ou seu ode embrulhado em insinuações ao sexo oral, “Bon appétit” surgiram de um despertar espiritual. Mas vá para a discografia de 2019 onde prevalece um senso de maturidade. Enquanto ela atravessa uma gama de emoções – de obsessão (“365”) a desgosto (‘Never Really Over”), a pós-separação (‘Small Talk”) a um amor alegre (‘Harleys in Hawaii”) – ela se transforma de uma mulher biônica em uma garota motociclista vestida com couro.



SEGUNDA VIDA

Não é para dizer que Katy Perry 2.0 é menos divertida. Ela pode não estar mais atirando chantilly por seu sutiã de cone, mas se sente confortável transformando-se de um lustre em um cheeseburger no Met. Em outros dias, ela invade banheiros públicos com sua banda para sua série #pottyjam. Em casa, ela é a madrasta dedicada que encontrou o equilíbrio entre a realidade e a fantasia que permeia sua vida e obra.

“Nós fazemos muitas coisas com o Flynn (o filho de oito anos de Orlando Bloom). Nós vamos ao cinema ou a parques de diversões … Estamos constantemente fazendo coisas divertidas”, diz ela sobre essa transformação.

No Botticino, o restaurante italiano em Trident, Bandra Kurla, Mumbai, onde sentamos para uma refeição de seis pratos, Katy continua a filosofar sobre amor e vida.

“Eu fiz muito trabalho mental, espiritual e emocional nos últimos anos. A maior mentira que já nos disseram como artistas é que precisamos estar sofrendo para criar. Eu não quero sofrer a vida inteira para poder escrever músicas”, ela me diz, enquanto pega a bandeja de pão e queijo.

É verdade que a imagem de chiclete de Katy realmente não transmite sofrimento.

“Gosto de escrever músicas que realmente movam ou capacitam as pessoas. Se você dividisse minhas músicas, elas seriam 50% [sobre] poder, 25% festa e 25% de romance. Elas são cheias de esperança e positividade, como ir em direção à luz. Eu rejeito a escuridão”.

Passe cinco minutos com ela e sentirá a positividade infecciosa dela. Ela demonstra a curiosidade de um entrevistado cativante – comigo (“Quero saber tudo sobre você”), com o garçom (“’Anuugacchati Pravaha’, estou dizendo isso certo?”, ela perguntou a ele sobre a tatuagem de Devanagari) ou com o companheiro peixinho dourado colocado em nossa mesa (“Oi Roberto, como está se sentindo?” falou ela, fazendo beicinho).



AS CRIANÇAS ESTÃO BEM

Capturar um Gen-Z, o notório grupo nascido com a tecnologia com a atenção de um peixe dourado, requer habilidade.

“Eu acho que sou jovem de coração e eles veem isso. Autenticidade é importante para mim, e os jovens – Gen-Z, mais do que ninguém – podem farejar fraudes.” Então, no meio do show, quando ela admite que está “suando a cada crack”, os fãs se apaixonam. Entre as trocas de roupas, quando sua banda começou a tocar “Part of Me” sem ela, Katy pulou de volta ao palco com seu macacão verde neon e tênis e foi franca com seu público confuso: “Preciso contar a verdade, pessoal. Eu apenas tentei mudar minha roupa e estou suando demais, a parte de trás da minha roupa rasgou ao meio!”. E aí está seu charme – ela é a celebridade que soa como um humano, e não como um robô bem treinado.


AFINAÇÃO PERFEITA

Mas a jornada teve seus altos e baixos.

“Fiz terapia, passei pelo processo de Hoffman, fiz medicina de plantas… e tenho um parceiro que também busca encontrar um equilíbrio – Orlando, que está em sua própria jornada espiritual. Ele é uma âncora que me segura e é muito verdadeiro. Ele não é o fã número um da Katy Perry, mas é o fã número um da Katheryn Hudson”.

O casal compartilha muito em comum. Artistas que vivem aos olhos do público, ambos experimentaram casamentos desfeitos e essa evolução apenas fortaleceu seu vínculo.

“O amor é diferente de um namoro. Você namora nos seus vinte anos. Amor é parceria, amizade, verdade e ser um espelho absoluto para alguém”, diz ela, mexendo no anel de noivado em forma de flor.

Orlando é como um sábio. Quando nos conhecemos, ele disse que extrairíamos o veneno um do outro, e realmente o fazemos. É cansativo, mas nós realmente nos responsabilizamos. Eu nunca tive um parceiro que estivesse disposto a fazer uma jornada emocional e espiritual como Orlando. É desafiador, porque você está enfrentando todas as coisas que não gosta em si mesmo. É como uma limpeza sem fim”.


UMA MENTE LINDA


Ela está em um bom lugar agora, então há motivos para agradecer. Mas 2017/2018 foi o momento mais difícil.

“Fiquei deprimida e não queria sair da cama. No passado, eu era capaz de superar isso, mas desta vez aconteceu algo que me fez cair muitos lances de escada. Eu realmente tive que fazer uma jornada de saúde mental”, ela compartilha.

Viver no mundo hiper-examinado das celebridades apresenta seus próprios desafios e vulnerabilidades, mas Katy emergiu um defensor vocal da saúde mental.

“Falamos sobre todos os nossos diferentes órgãos, mas nunca falamos sobre o cérebro, o que mais nos mantém funcionando”, observa ela.

Por mais destemida e sincera sem pedir desculpas que Katy tenha sido para falar o que pensa, a mídia não perdoa.

“Para a imprensa, a cada poucos meses eu me torno ‘Perry, a Piñata’. Mas, felizmente, eu não tiro mais a minha validação deles”, diz ela.

Ela é muitas vezes incompreendida; seu talento sartorial cortejou controvérsias como apropriação cultural, enquanto sua aparição no Vila Sésamo foi rotulada de “sexy demais” para o programa. Nem todo mundo a entende, mas ela continua a usar a voz sob sua cabeleira de peróxido (a verdadeira cor de seu cabelo é um “marrom esquilo sem graça”, ela compartilha) para representar muitas coisas para muitas pessoas – um modelo para as crianças, uma feminista ícone para mulheres e um soladado para a comunidade LGBTQI+.

Às vezes, ela usa sua plataforma para politicar e orientar mudanças. Durante a campanha presidencial dos EUA em 2016, Katy estabeleceu sua posição como a maior líder de torcida de Hillary Clinton e escreveu “Chained to the Rhythm” como um alerta para que os americanos lutassem a boa luta. No Grammy de 2017, quando ela tocou a música, ela usava um terninho branco sufragista com a palavra “Persistir” estampada em uma braçadeira. “Se você está em um grande holofote e está compartilhando com o bem, será melhor para todos”, diz a estrela pop com propósito que, como embaixador da Boa Vontade da UNICEF, fez viagens a partes pobres do Vietnã e Madagascar para defender a educação das crianças e acesso a água limpa.

“Aos 35 anos, tirei muitos itens da minha lista e agora estou sendo desafiada a sonhar novos sonhos”, diz ela. “Quero me envolver em empresas ambientais, quero voltar para a escola [a psicologia e a filosofia serão os assuntos de sua escolha] e quero influenciar pessoas boas a concorrer a cargos”.

Ela ainda não compartilhou detalhes de seu casamento, mas quer uma família grande e sonha em se aposentar em uma comuna com sua família e amigos. Ela pode não ter encontrado a cura para tudo na vida, mas finalmente entende o significado de sua tatuagem – acompanhar o fluxo.

“Sou uma pessoas pública há 12 anos e cometi muitos erros. Sou humana e ainda quero tentar ela.

Eu não quero ser derrotada ou me tornar reclusa. Eu quero viver a vida. E fazer isso significa que você pode ocasionalmente tropeçar, mas não é sobre como você cai – é sobre como você se levanta”.


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